Lutas indígenas pela efetivação da educação escolar indígena

Sala de aula de escola indígena no Tocantins.

Sala de aula de escola indígena no Tocantins.

*Texto escrito por Tonico Benites, antropólogo.

Este texto apresenta a história do movimento das lideranças Guarani e Kaiowá pela implementação da educação escolar indígena no atual Território Etnoeducacional Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Para escrevê-lo, usei a bibliografia que trata da história geral da introdução de educação escolar nos Postos ou reservas indígenas Guarani e Kaiowá e, em parte, me centrei nos trechos dos documentos indígenas dos representantes dos professores e lideranças Guarani e Kaiowá.

Continuar lendo

Publicado em Educação, Lutas Indígenas | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A ofensiva do Congresso e seus ruralistas contra a organização dos povos indígenas

Os indígenas do Brasil consagram vitória importante nos dias que correm. Frutifica nova forma de organização entre povos muito diversos, conquista difícil de apagar. E é nesse contexto que velhos inimigos somam forças para esmagar resistências, desmontar instrumentos da política indígena e envenenar aliados importantes.

Para os índios desta terra, forças e mecanismos do Estado declaram guerra. Continuar lendo

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Afinal, o que está acontecendo na Grécia?

* Texto escrito em colaboração com Ivan Martins

greece-bailout-referendum

A Grécia em disputa.

Temos ouvido falar muito sobre a Grécia nos últimos meses. Vários textos têm circulado pelas redes sociais e blogs. Mas o que afinal esta acontecendo por lá? Esse texto pretende auxiliar o leitor de primeira viagem no assunto a esclarecer um pouco essa pergunta.

A dívida e a União Europeia

Muitos governos, inclusive dos países desenvolvidos, vivem constantemente em déficit financeiro. Isso quer dizer que muitas vezes há uma diferença entre as receitas e o que realmente se precisa utilizar. Quando isso acontece é comum que esses países recorram a empréstimos, a Grécia é um desses países.

A Grécia compõe a União Europeia desde 1981 e a Zona do Euro a partir de 2001. Pertencer a esses grupos proporciona algumas vantagens, entre elas a facilitação de empréstimos pela UE a fim, supostamente, de diminuir a desigualdade econômica entre seus países membros. O argumento para esse esquema era simples, a UE e bancos privados emprestariam dinheiro, o país usaria o dinheiro para se desenvolver e assim teria meios de pagar a dívida.

Com a crise em 2008 esse plano “perfeito” desce pelo ralo. A dívida de muitos países tanto do setor público como privado torna-se impagável, com os títulos da dívida virando os famosos papéis podres. A Grécia ficou, assim, sob suspeita de não conseguir pagar suas dívidas, e em 2010 a suspeita se tornou confirmação.

Continuar lendo

Publicado em Economia, História, Política | Marcado com , , , , , , , , , | 1 Comentário

“Por que o marxismo não é oposto ao feminismo?” Ou “Quatro razões para se pensar um feminismo marxista”.

Muito se fala sobre uma pretensa incapacidade do marxismo em explicar e apontar respostas para algumas questões sociais que não parecem estar ligadas diretamente ao princípio básico da luta de classes no campo econômico, como as opressões sofridas por mulheres, negros, homossexuais e transgêneros.

Feminismo marxista

Continuar lendo

Publicado em Autores marxistas, Dossiê Feminismo, Formação, Gênero | Marcado com , , | Deixe um comentário

Greve na educação federal (e outras greves): um movimento oportuno e necessário

Por Marcelo Badaró Mattos, professor da UFF.

O movimento sindical é muitas vezes limitado a um horizonte imediato de reivindicações econômicas dos trabalhadores que representa. Não poderia ser diferente e nem se pode esperar que sindicatos não apresentem demandas econômicas, pois elas são no mais das vezes justas e são o eixo central da razão de ser dessas organizações de defesa da classe contra a exploração do capital. Porém, se mantiverem-se rigorosamente limitados às reivindicações econômicas, os sindicatos perdem força e fracassam no que diz respeito a seu potencial de conscientização e mobilização, pois a superação da exploração a que está submetida a classe trabalhadora não será alcançada por um somatório de conquistas econômicas, mas apenas por uma transformação social global. Continuar lendo

Publicado em Educação, Política | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Walter Benjamin, o marxismo e a história: 5 questões fundamentais

Walter Benjamin

Walter Benjamin*

Texto escrito por Rafael Vieira, doutorando em Direito.

O marxismo de Walter Benjamin é de fato bastante singular. Seu contato mais aprofundado com a obra de Marx e com o marxismo enquanto uma filosofia da práxis (a expressão é de Gramsci, não de Benjamin) ocorre em 1923-1924 por uma conjunção de fatores que vão desde a leitura da obra de Lukács “História e Consciência de Classe”, suas discussões com a militante comunista letã Asja Lácis e também em função de perceber na obra de Marx um poderoso instrumento de crítica ativa ao aprofundamento das contradições sociais na República de Weimar depois da derrota dos setores combativos do movimento dos trabalhadores no ciclo revolucionário alemão que se abre em 1918-1919.
Embora a partir de 1923-24 seu pensamento ganhe novos contornos com Marx, a crítica ao capitalismo e à civilização industrial moderna aparecem em alguns de seus textos desde 1915 pelo menos, sendo uma espécie de fio condutor de sua obra. Essa crítica é feita nesse primeiro momento a partir de uma associação complexa entre um romantismo revolucionário e uma interpretação particular do messianismo judaico, referências essas que não desaparecem (embora sejam reposicionadas) depois do contato com Marx e alguns de seus intérpretes. Nesse breve texto, o objetivo é tocar em alguns pontos que considero importantes na relação de Benjamin com a obra de Marx e com algumas correntes distintas do marxismo. A ideia é levantá-los como aspectos essenciais de uma agenda de pesquisa e como temas centrais de debate, sem qualquer pretensão de esgotá-los. Continuar lendo

Publicado em Formação, História, Memória, Política, Teoria | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A barbárie em nós: reprodução ampliada do capital e do ódio

*Texto de Tatiana Poggi, professora de História da Universidade Federal Fluminense

Vítimas da violência na Nigéria

Vítimas da violência na Nigéria

Mais um ano se inicia. Sempre me intrigou a ideia de pensar e medir o tempo em ciclos. Não apenas mais um ano; um ano novo. E com ele, um recomeço, a oportunidade de refazer e de transformar. Um novo ano renova as energias, traz esperança e fôlego aos desesperados. Em tempos como o nosso, marcado pela extrema desigualdade, pelo ódio e pela intolerância, pela perda de espaços e de direitos, esse sentimento é quase uma necessidade, ainda que inconsciente, para não sucumbirmos ao derradeiro fim, qual seja, a perda da esperança. A esperança de que no próximo ano as coisas possam ser diferentes, melhores.

Essa é um pouco a essência da modernidade. O ser moderno é, em seu âmago, um otimista e também um ser de fé; comunga de uma fé particular na mudança, na ideia de progresso, na razão, na ciência, na política e na diplomacia como meios racionais de solucionar contendas. Com esse sujeito, dono do mundo, emerge um conjunto largo de expectativas em torno da emancipação, da prosperidade, da inclusão e da felicidade. Isso é basicamente o que Marshall Berman caracterizou como “promessas da modernidade”, a promessa da possibilidade. Continuar lendo

Publicado em Crônicas | Marcado com , , | Deixe um comentário

Um sobrevoo brasileiro sobre a obra de Antonio Gramsci

* Texto escrito por Fábio Frizzo e Marco Pestana.

Antonio Gramsci

Antonio Gramsci

Para atuar na transformação do mundo é necessário, antes, entendê-lo, e isto não é uma tarefa fácil – ainda mais em tempos como os atuais, em que tudo parece acontecer a uma velocidade vertiginosa. Respostas fáceis quase nunca conseguem atingir o centro dos problemas e, por isso, pensar a partir de sólidas bases é cada vez mais importante. Com essa preocupação em mente, propomos um rápido sobrevoo pela obra de um dos mais importantes revolucionários e pensadores marxistas, Antonio Gramsci, para colhermos pistas que nos ajudem a compreender a atual situação política brasileira.

Gramsci, nascido em 1891, na Sardenha, foi, desde a adolescência, um militante socialista, se destacando na experiência de luta dos trabalhadores nos Conselhos de Fábrica durante o chamado biênio vermelho de 1919-20. Também foi fundador, em 1921, e dirigente do Partido Comunista Italiano, além de deputado no Congresso Nacional. As atividades desenvolvidas por ele no PCI e na Internacional Comunista acabaram por levá-lo à prisão fascista em 1926. Nos dizeres de seus algozes, seria preciso “impedir esse cérebro de funcionar durante vinte anos”. Continuar lendo

Publicado em Autores marxistas, Formação, Política | Marcado com , , , , , , , , | 1 Comentário

O que ainda resta de Junho… Uma análise das Jornadas, dois anos depois

Em junho de 2013, milhões de pessoas saíram às ruas de todo o Brasil para lutar contra o aumento das tarifas nos transportes públicos. Os atos começaram pequenos nas principais capitais do país, mas cresceram num ritmo intenso, chegando a atingir uma dimensão nacional. E conforme mais gente aderia aos movimentos, diversas reivindicações acabaram sendo incorporadas à pauta das manifestações, que deixou de se limitar à redução das passagens. Mas, ao contrário do que se chegou a afirmar, as Jornadas de Junho não devem ser vistas como mobilizações inesperadas, espontâneas ou como meros produtos das interações sociais nas redes internéticas.

Ato na cidade do Rio de Janeiro - 17/06/2013

Ato na cidade do Rio de Janeiro – 17/06/2013

Continuar lendo

Publicado em Política | Marcado com , , | Deixe um comentário

Imperatriz Furiosa em Mad Max: We DO need another hero*

*”Precisamos de mais um herói/heroína”, em referência à canção de Tina Turner intitulada We don’t need another hero.

Não sei se cheguei tarde demais no debate “Mad Max é ou não um filme feminista?”, mas já que só vou ao cinema duas vezes por ano — o valor da entrada inteira torna isso um evento de alto luxo exclusivo para ocasiões comemorativas –, vou dar humildemente meu pitaco.

[Contém spoilers!]

Continuar lendo

Publicado em Cultura, Gênero, Mídia | Marcado com , , , , | Deixe um comentário